Porque nós estamos aqui?

Publicado em Sex 01/19/07 como Opinião

Porque nós estamos aqui? Esta foi a pergunta que me fiz após assistir o filme Filhos da Esperança (Children of Man, em inglês), do cineasta mexicano Alfonso Cuarón. O gênero de filme talvez não agrade a uma grande parcela do público por se tratar de uma história de ficção futurista em um cenário apocalíptico, do tipo que minha mãe diria: “porcaria de história de coisas que não existem!”.

A história se passa no ano de 2027, quando completa 18 anos sem que nasça uma criança em todo o mundo, levando a humanidade a um completo caos. E começa justamente quando é noticiado que a pessoa mais jovem da Terra havia morrido assassinada em uma briga de rua. O filme mostra o caminho que Theo, um ex-ativista, percorre quando concorda em ajudar a transportar a jovem Kee para fora da Inglaterra, uma mulher (imigrante e negra) milagrosamente grávida. Acredite, esta história pode não ser baseada em fatos reais (talvez um dia isto venha a acontecer), mas os eventos que ocorrem durante o filme são! Demais até.

Esta não é uma critica ao filme, e tão pouco uma análise. Estou escrevendo para compartilhar contigo a impressão que este filme deixou em mim e tudo o que refleti após assisti-lo.

Logo de cara fiquei chocado. O choque foi seguido por certa repulsa, seguido de uma fagulha de esperança que foi logo interrompida por um sentimento de medo intenso. O diretor utilizou uma técnica de filmagem que faz o espectador imergir literalmente no filme. Por quase todo o filme eu pensei estar nos cenários finais do jogo Half-Life 2, aliás, eu poderia jurar que o Alfonso Cuarón jogou ele, e mais de uma vez. Mas isto não vem ao caso.

Fiquei alterado por aproximadamente 10 minutos após assistir o filme. Eu estava em casa sozinho, logo não dei vexame, e no final, não consegui tirar da minha mente um pensamento: “porque estamos aqui?”

Ouvi de um professor de filosofia certa vez que “o homem não serve para nada, as coisas é que servem para o homem”. Vem daí a busca de um propósito para nossas vidas, afinal, não servindo para nada fica difícil de ver o nosso lugar neste planeta. Será que nós fazemos alguma diferença? Obviamente sim, basta olhar pela janela e ver a fumaça no ar, ou sentir o calor fora do comum que nos aflige. Mas será que no final das contas nós estamos aqui apenas para vir a servir de combustível para uma espécie que virá depois de nós, exatamente como foi com os dinossauros?

Isto me veio à memória quanto acabei de ver o filme. Dizemos para nós mesmos que existe um lugar melhor, ele varia de dogma para dogma, mas em termos gerais, este lugar seria o paraíso. Neste lugar, não haveria dor ou sofrimento. Em algumas crenças, o paraíso é um lugar de cura, de aprendizado, e em outras é a recompensa final para uma vida de dedicação a sua fé. Não estou equivocado ao dizer que acreditar em um paraíso, em uma vida após a morte, ou seja, lá o que for, é um pensamento ruim.

Se não existisse a crença em vida após a morte, a vida aqui, agora, teria um valor inestimável. Seria algo que estaria ligado a natureza humana. Não viveríamos para nos tornarmos algo, nós simplesmente viveríamos, e deixaríamos viver. Tente imaginar a cadeia de mudanças que a inexistência da crença em uma vida após a morte acarretaria. As possibilidades são praticamente infinitas, eu sei, e com certeza muitas delas não bateriam com a minha linha de raciocínio, porém é inegável que a crença na vida após a morte é um pensamento que tira das pessoas uma grande responsabilidade.

Acreditamos que estamos aqui para aprender, nos desenvolver e evoluir para algo melhor, superando todos os obstáculos que a vida (acaso) nos impõe. Porém os únicos obstáculos reais são: manter-se nutrido (cultivar, caçar ou pescar, comer), manter-se protegido do ambiente em que se vive (clima, predadores, etc.) e manter a perpetuação da espécie (reproduzir-se, proteger os filhotes). Percebeste? Estes obstáculos são os mesmos que qualquer outra espécie da Terra enfrenta, dia após dia. Todos os demais desafios que enfrentamos são criados por nós mesmos.

Porque existe fome quando produzimos comida suficiente para um quarto a mais da população do planeta, ou seja, sobra comida no mundo. Porque existe falta de segurança quando não existem “animais perigosos” nas nossas cidades? Porque pessoas morrem em catástrofes naturais se existe tanta terra desabitada e segura no planeta, afinal, somos uma espécie inteligente e criativa, sabemos nos virar em terreno dito inóspito.

A minha resposta para estas perguntas é bastante simplista, mas é a única que me satisfaz no momento: não levamos a vida realmente a sério. Não sabemos o quanto a vida é rara, o quanto ela é preciosa. Até onde sabemos, a luz precisa viajar mais de uma centena de anos para que encontre algum sistema que talvez tenha condições de vida como o nosso. E essa possibilidade só é otimista assim porque não temos telescópios capazes de “enxergar” com uma boa precisão que confirme condições de vida. Pode ser muito pior.

Não damos valor à vida porque acreditamos que isto aqui é só um começo, ou um meio.

Enquanto isto nós prosseguimos judiando, ferindo, explorando, matando por motivos mesquinhos e/ou fantasiosos, e principalmente odiando e temendo uns os outros simplesmente porque ou são de cores diferentes, ou rezam para fantasias diferentes, ou ate por torcerem por times de futebol rivais.

Ouvimos muitas pessoas dizendo que devemos ter esperança. Que um dia as coisas vão melhorar. Não sei se devo acreditar nisto. Quase ninguém trabalha para que estes dias melhores cheguem. A maioria fica de braços cruzados, apenas esperando.

Depois de ver este filme e meditar bastante eu ainda não sei a resposta para a minha pergunta, mas eu conclui que devemos nos preocupar em simplesmente ser. Porque ser alguma coisa, como ser rico, ser amado, ou simplesmente ser feliz já provou que não está dando certo.


Concordas?

# Claures L. de Oliveira escrito em Dom 02/04/07 às 03.41 :

Como pode alguém que raciocina dessa maneira, ignorar o processo da metamorfose humana… Quanto mais o ser humano estuda mais ele se sente insufiente… é normal… com certeza vc sabe disso… quando estudamos demais acontece com nosco o mesmo processo que acontece com as àguias… enovamos com sofrimento… e vc está certo… o mundo esta precisando de prática… de intelectuais praticantes… entende…

Não devemos deixar para outros este processo… não põe em duvida sua importância como ser neste planeta… vc esta no caminho certo…

# Revelação escrito em Dom 09/27/09 às 04.17 :

Esta aproximando-se o Tempo de entendermos o VERDADEIRO sentido de tudo que existe e conhecemos… Quem somos! De onde viemos! Porque estamos aqui! Qual o sentido de tudo isto!… Não sou O Dono da Verdade, apenas conhecedor da mesma.
E posso afirmar que tal tempo, será esclarecedor! Não para muitos, mas sim para todos nós seres Humanos… Vivemos em contagem regressiva desde que nascemos. Apartir da primeira batida cardiaca, da primeira respiração, etc… comessamos a morrer, ou melhor dizendo, comessamos a NASCER. Dificil de entender??? A Verdade sempre esteve diante de nós! Usando meios sutís de nos despertar! Como alguém que, ao ver uma criança caminhando perdida e sem rumo, estende-lhe a mão afim de conduzila de volta ao Lar.
Estamos sendo gerados na “placenta” da natureza! E o Dia do Nascimento se aproxima!
Sei que muitos, talvez, não entendam oque escrevo. Não voz culpo.
Breve entenderão.

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