O Infinito Finito

Publicado em Dom 02/16/03 como Delírios

Já parastes para pensar em quão pequenos somos? Se por um instante fecharmos os nossos olhos e nos imaginarmos se afastando cada vez mais de nós mesmos, onde iremos parar? Talvez além da Terra, da galáxia, ou nos limites do que conhecemos… Mas podemos ir além, podemos ir além dos limites da nossa imaginação. Mas qual é o limite de uma imaginação?

Se assumirmos que imaginação tem um limite, então admitir que somos uma mera coincidência, uma soma de fatores que favoreceram o surgimento da matéria orgânica que resultou no que chamamos de vida é perfeitamente aceitável, ou seja, só tivemos sorte. E podemos admitir também que a nossa mente nada mais é do que uma caixa onde estão guardadas apenas as nossas memórias, experiências e dores.

Por outro lado, se assumirmos que a imaginação não tem limites, podemos defini-la como um universo, infinito, em eterna expansão.

Mas se dentro de cada um de nós existe um universo inteiro, talvez mais, qual é o nosso tamanho? Como podemos medir isto?

Este é um dos maiores problemas da humanidade, muitos só conseguem aceitar o que se pode medir, classificar, nomear para desta forma entender, logo concluímos que nossa razão não é capaz de compreender a nossa própria imaginação. Somos tão ambíguos assim? Uma parte de nós é como um grão de areia, pequeno, único e classificável, e a outra é infindável, abstrata, incompreensível, um mistério para nós mesmos.

O Homem sabe disso, sabe ao mesmo tempo em que ignora. Continuamos a contar as estrelas. Mas e os sonhos, quantos são? De onde vêm? E para onde vão? De que me adianta saber quantas estrelas existem no céu se não conheço a mim mesmo, se não sei quantos sonhos existem em mim. Esta é uma questão muito importante. Compreende-la é a melhor maneira de definir os nossos limites, se eles existirem. Quanto poder existe em nós, seremos nós deuses adormecidos, sonhos de uma outra pessoa como nós ou apenas frutos do acaso.

É justamente no limite do real e do imaginário, do finito e do infinito que me encontro. Vejo-me imerso em um colapso da razão onde não posso definir o certo do errado, um sonho de um grão de areia.


Fechado para comentários

comentários desativados para este artigo