Minimalista

Publicado em Qua 04/26/06 como Cotidiano

Definitivamente eu sou um minimalista.

Ontem, ao chegar à casa da minha mãe, encontrei um grande amigo meu de tempos remotos. Há pouco tempo atrás, nos falamos por telefone, mas como foi uma daquelas ligações em que um amigo pede um favor para outro, não tivemos tempos de falar da vida. Desta vez foi diferente.

Ele me falou da sua família, do seu trabalho, até mesmo de pessoas que não vejo faz tempo. Atualmente ele trabalha como taxista, e embora tenha de trabalhar muito mais que o normal, ele conseguiu adquirir alguns bem, como casa e carro, e pretende abrir uma locadora de vídeo. Quem nos conheceu no passado diria que eu é que teria a maior probabilidade de ter uma vida tranqüila e estável como a dele, pois eu era o certinho e ele o “porra-loca”. Todos os erros que eu sempre quis cometer na vida, ele cometeu. A vida dele mudou drasticamente quando ele engravidou uma vizinha. Acabou casando-se e tendo mais um filho com ela. Hoje eles são felizes. Foi bom ver o quanto ele mudou.

Nossa conversa não durou muito, e praticamente não falei de mim. Ouvindo as suas histórias eu percebi que realmente eu não teria muito o que falar. Eu poderia contar do meu trabalho, de filmes que assisti, música, jogos, qualquer coisa que não envolvesse opiniões pessoais. Porque? Simples, ele riria de mim. Senti-me o mesmo piá de 17 anos atrás, que foi abordado por um guri estranho pela janela do seu quarto, enquanto estudava matemática, querendo saber se gostaria de ir empinar pandorga com a turma da rua.

Obviamente eu mudei, e continuo mudando desde que o conheci, a questão é a velocidade que estas mudanças acontecem. Tudo parece passar tão devagar na minha vida, mesmo nos momentos de virada, mas estas mudanças bruscas nunca duram o suficiente para se estabelecerem para sempre.

Tenho um comportamento minimalista. As mudanças são todas lentas e graduais. Possuo poucos bens e não tenho pressa em adquirir mais. Aprecio musicas que se desenvolvem lentamente (Coldplay e Arcade Fire são ótimos exemplos). No meu computador procuro usar programas que façam apenas uma tarefa e não tentem ser verdadeiros canivetes suíços (troquei o Windows pelo Linux+Gnome de vez). Prefiro os ambientes com poucos móveis, de linhas simples e puramente funcionais. As paixões começam como rastilhos de pólvora, mas levam vários invernos para se apagar (sofro muito por amor, sou um mimimi ao extremo).

Nunca reparei isto em mim até ontem, mas parando para pensar, acho nem sempre fui assim.


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