Existe mesmo o bem e o mal?

Publicado em Sex 01/09/04 como Pensamentos

Muitas são as vezes que me pego refletindo a respeito das questões que envolvem o bem e o mal. Há algum tempo atrás eu tinha abandonado a minha crença em um deus, vida após a morte e afins, simplesmente porque não me convinha mais. Tu não leste errado, eu disse que abandonei as minhas crenças por conveniência mesmo, pode parecer absurdo, mas é tão absurdo quanto atirar um chiclete mascado pela janela do carro e reclamar em outra ocasião por teres pisado em outro chiclete de outra pessoa. Embora eu tivesse abandonado a crença alguns dos seus conceitos ainda permaneciam estampados em mim como tatuagens, entre eles as questões do bem e do mal.

Tenho observado a natureza por algum tempo em busca de respostas, tentando encaixar ou extrair lições de moral dela. Isto é realmente algo muito perigoso para não dizer inútil. A moral é uma invenção humana e a natureza é anterior a filosofia dos homens. Isto vale também para o conceito de justiça que também é outra tatuagem na minha pele.

Alguns de vocês talvez tenha passado por uma situação parecida: ao passar perto de uma árvore qualquer, num parque qualquer, te deparas como o som característico de um filhote de passarinho que caiu do ninho. Tu procuras pelo ninho, mas não o encontra, ele provavelmente chegou ali voando, ou pelo menos tentando voar, então surge a dúvida de como proceder. Se tu o deixares ali ele pode morrer de fome ou comido por algum outro animal (geralmente por um gato), se tu o levares para tratá-lo, ele terá grandes chances de sobreviver. A maioria da ouvidos a bondade em seus corações ou apenas agem por pena e o levam para casa.

Agora vem a parte interessante. Para cuidar do passarinho tu precisas pô-lo em uma gaiola para que não tente fugir e volte a situação inicial. Este é o primeiro ponto negativo do seu ato de bondade, a perda da liberdade. Depois tu o alimentas até que ele esteja grande o suficiente para que possa sair voando e seguir a sua vida. Segundo ponto negativo, ele não sabe arrumar comida sozinho. Depois tu o libertas, missão cumprida. Será? Qual será o destino dele? Conseguirá ele ter uma vida longa ou vai parar no aparelho digestivo de algum bichano? Independente do que lhe aconteça, em nenhum momento foi questionado o motivo daquele pássaro estar no chão naquele dia. O que sabemos da Lei da Natureza é que somente os mais fortes ou os que se adaptam melhor ao ambiente em que vivem, sobrevivem. E o que podemos deduzir é que aquele passarinho era fraco ou tinha algum problema que o impossibilitou de ser bem sucedido no seu vôo. Também pode ter sido puro acaso (azar para os supersticiosos), mas isto não vem ao caso, o que realmente importa é que se ele sobreviver vai passar essas características aos seus descendentes. E isto sim, é um grande problema. O seu bem pode vir a se tornar um mal!

Podemos observar isto na medicina, o veneno das cobras é transformado no antídoto para o próprio mal que ele pode vir a causar. A seleção natural também é afetada pela medicina, os inábeis, fracos, defeituosos, entre outros prosperam graças a ela. Não estou sendo preconceituoso, quero apenas apresentar os fatos da perspectiva da natureza que como já disse, não possui valores morais, noção de justiça e afins. Voltando, os beneficiados pela medicina passam aos seus descendentes suas características ruins (algum de vocês possui renite alérgica?) que poderiam não existir mais em função da fatalidade que poderia ocorrer a estes indivíduos. Aqui é um bem que se transforma em mal. E isso vai muito além, remédios como os antibióticos tem se tornado cada vez mais fortes em função das bactérias se tornarem mais resistentes a eles, já que elas não tem que as defenda, sofrendo assim, a seleção natural. Hoje existem as superbacterias e outras doenças que nasceram da interferência humana sobre a sua própria saúde e que deveria ser para o seu próprio bem. E isto vai se arrastar por mais algum tempo até chegar em uma situação limite onde todo bem feito para manter pessoas vivas vai se tornar em um mal que pode condenar a própria perpetuação da raça humana.

Todos estes exemplos de situações hipotéticas citados acima servem para demonstrar o quão delicado é este assunto. Não só as religiões estão diretamente ligadas ao bem e ao mal, mas também a ciência, a política e principalmente a ética. Acredito que este assunto já foi tratado por muitos filósofos e/ou cientistas, mas não foi com intuito de filosofar ou alertar que escrevi isto, foi para deixar claro para mim mesmo que finalmente estou mudando o meu modo de ver o mundo.

Muitos foram os amigos que perdi em função de convicções preconceituosas sobre o que é bom e o que é mau. Desde pequenos somos educados a fazer o bem (pelo menos a maioria ainda é) e dependendo da maneira como este assunto nos é apresentado não percebemos quão delicado é este assunto. Geralmente não existe um meio termo ou ponto de equilíbrio, como se bem e mal fossem como água e óleo impossíveis de se misturar. Existe um ponto de equilíbrio.

Estou deixando o meu lado Jonas de lado (leia Gênesis, ele foi o cara engolido por uma baleia) e aceitando novamente Deus em minha vida. Porém agora não encaro mais Ele como um pai e sim como um criador. Confuso? Para mim é simples, e isso é o que importa. Para mim Deus não é bom, e também não é mau, Ele é aquilo que Ele precisa ser e ponto final. Fazemos o mesmo com nossas crianças dizendo que elas não devem fazer algo porque é errado mesmo que elas não entendam este porque, e aos olhos delas nestes momentos somos “maus”.

O bem e o mal andam de mãos dadas, talvez eles sejam apenas questões humanas ou nem isso, e até onde minha visão alcança, somos crianças tentando entender os propósitos de nossos educadores.


Deixe a sua marca!

# Hn63Z escrito em Seg 11/14/05 às 06.33 :

Pois é…

Como pai, posso dizer que educar é uma coisa complicada… E quando falo em educar, não estou falando da educação formal, aquela das escolas, mas a educação dada de pai para filho.

Muitas vezes não sabemos o que fazer, e acabamos entrando em contradição. Pior, quando um pai entra em contradição a criança fica mais confusa.

Mas como não entrar em contradição se a natureza, muitas vezes, é contraditória…

# Lythari escrito em Seg 11/14/05 às 05.37 :

A natureza não é contraditória, nós é que não somos capases de ver o sentido que existe em todas as coisas… ainda.

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