Dislexia

Publicado em Ter 06/06/06 como Cotidiano

A seguir um comunicado bombástico!

Após trocentos exames o neurologista disse que minhas dores de cabeças são de origem psicossomática (isto já era meio óbvio), mas me recomendou fazer um checkup completo por causa do meu histórico familiar. Porém, ele não saiu de mãos abanando, acabou descobrindo um problema que, pasmem nenhum professor meu jamais deu atenção: “eu tenho dislexia”.

E vejam só, não estou sozinho nisto, grandes gênios como Einstein e Darwin, artistas e escritores como Picasso, Leonardo da Vinci e Agatha Christie, um político como Churchill, astros como John Lennon, Harrison Ford, o jogador de basquete Magic Johnson, e até mesmo Tom Cruise (este confesso) possuem (possuíam) dislexia!

De acordo com o livro ”O dom da dislexia – Por que algumas das pessoas mais brilhantes não conseguem ler e como podem aprender”, de Ronald D. Davis, dislexia é definida como “um tipo de desorientação causada por uma habilidade cognitiva natural que pode substituir percepções sensoriais normais por conceituações; dificuldades com leitura, escrita, fala e direção, que se originam de desorientações desencadeadas por confusões com relação aos símbolos. A dislexia se origina de um talento perceptivo”. Muitas pessoas confundem dislexia com Transtorno de Déficit de Atenção (TDA), um transtorno médico genuíno que impede a pessoa de manter a atenção, devido a sintomas parecidos, o foi no meu caso e talvez tenha sido por isso que não fui diagnosticado como disléxico antes.

Foi um choque, mas eu já sabia pelos sinais como a minha rápida perda de interesse por algo que pode trazer algum incomodo e a troca de letras, tanto na escrita quanto na audição, e por ai vai. O bom é que existem métodos e técnicas que podem ser aplicadas no meu cotidiano para amenizar os sintomas e desenvolver a dislexia, por que sim, ela me traz benefícios. Por afetar principalmente a percepção, o cérebro de uma pessoa disléxica apenas trabalha de um modo diferente, influenciando o modo como ela correlaciona as informações. As pessoas ditas como “normais”, quando observam algo, mesmo que com diferentes pontos de vista, tendem a concluir algo semelhante, já uma pessoa disléxica será capaz de observar o que ninguém é capaz de perceber. Os gênios no texto acima que o digam!

Ironicamente amigos como Laerte e Roberta já tinham percebido que meus pontos de vista são no mínimo peculiares, e ambos me chamavam atenção para a minha troca de letras, mas isto nunca fez ninguém perceber esta minha condição.

Agora vem o comunicado bombástico! O que? Vocês pensaram que a história da minha dislexia era o ponto forte deste post? Não, isto não chega a ser uma novidade. A bomba é que eu sempre quis fazer do mundo um lugar melhor, eu sempre tentei ajudar as pessoas a minha volta mas depois de uma série de frustrações e decepções, tentei me afastar deste desejo, e até agi como as pessoas que eu mais detestava. Mas é chegada a hora de retomar o caminho. Logo, decidi que eu quero ser médico!


Concordas?

# Cirila Cardoso escrito em Sáb 09/06/08 às 03.49 :

Conseguiste descrever exactamente, o que se passa com grande parte dos alunos que apresentam Dislexia e passam toda a vida escolar a espera de serem ajudados…. Sou reeducadora do Método Davis em Portugal e tenho um filho de 16 anos que teve a sua Dislexia diagnosticada aos 8…ainda foi muito a tempo de ajudá-lo…Vocês têm um talento que “nós” puros mortais não temos…conseguem transformar tudo o que vêem em imagens tridimensionais e a processam em 27 posições diferentes em poucos segundos afim de descobrirem a posição correcta!!!
Esse talento só vcs possuem!
Avante no teu sonho!

# Carlos Delfino escrito em Seg 01/26/09 às 12.24 :

Prazer em conhecer cara!

é bom ler um historia que agente se identifica para valer.

abraços.

# Alessandra escrito em Dom 11/01/09 às 05.26 :

Legal conhecer sua historia, também tenho dislexia, me sinto a pessoa mais solitária do mundo.
Não consigo me relacionar bem com os outros, ninguem me compreende.

força ate mais,

Fechado para comentários

comentários desativados para este artigo