Aventuras no sonhar: o confronto com a verdade (segunda parte)

Publicado em Ter 08/01/06 como Contos

Não sei por quanto tempo fiquei sentado no chão em frente aquela enorme fogueira. O céu estava muito limpo, e a noite iluminada pela luz das estrelas e da lua cheia. Sentado ao lado direito, havia um enorme lobo vermelho. Quando o olhei atentamente, percebi que a sua forma era humanóide e lembrava muito a imagem de um lobisomem.

– Foste tu que me trouxe para cá?
– Sim e não.
– Sinto que a pergunta mais adequada é porque estou aqui e não que lugar é este, estou certo?
– Não é?
– …
– O que você é?
– Eu? Um t´kani, pelo menos foi o que aquela moça lá me disse?
– E a quanto tempo és um t´kani?
– Sei lá, desde sempre?
– Eu sou t´kani. Você se parece comigo?

Olhei para as minhas mãos.

– Não me pareço, mas me sinto como se parecesse.

Ele se levantou e começou a andar contornando a fogueira.

– Você já percebeu que tem o dom. Sempre que você se dedica a algo com afinco, obtém sucesso, e na maioria das vezes se torna o melhor. Também percebeu a admiração que muitas pessoas têm de ti e o desprezo que outras têm também, assim como os seus motivos.
– Não tenho certeza…
– Tem sido assim desde que vieste para cá. Na primeira vez você não pode escolher, mas ficou entre os teus no Egito. Logo em seguida, do outro lado do oceano ficaste entre os Astecas. Mais adiante entre os Celtas, este último lhe rendeu um tempo no “Vale” após aquele incidente. E finalmente entre os Gaúchos, no Brasil. Todos, povos fortemente ligados as suas tradições, tradições estas que te serviam de gatilho para despertar para as suas origens, para te lembrar que é um t´kani.
– Eu… Não sei do que tu estás falando.
– Por que você sofre tanto rapaz?
– Me sinto deslocado.
– Errado. Você sofre porque não aceita a sua situação.
– Não vou ficar sentado aqui ouvindo essas asneiras de um personagem de sonho!
– As coisas vão piorar rapaz.
– Eu sei me virar sozinho.
– Eu sei. Acompanho de longe e vejo você criar ondas que afetam pessoas que nem conhece. A culpa que você sente precisa acabar, porém, é preciso que você entenda que agora você é humano.
– Mas eu não quero ser humano!

O grande lobo vermelho repentinamente mudou de aparência e se tornou uma menina loira.

– O que você vê agora?
– Uma menina.
– E eu sou uma menina?
– É o que parece, mas por dentro você é um lobo, não é?
– Errado. A essência não está ligada a forma alguma, e você sabe disso.
– Estou confuso.
– Está na hora de você seguir o seu caminho.
– E para onde devo ir?
– Siga o seu coração, ele nunca mudou de forma, como você.

Afastei-me da fogueira e a medida que a distancia aumentava, a menina mudou para lobo, que mudou para homem, que mudou para árvore, que mudou para uma névoa luminosa, que sumiu. Eu entendi o que aquela coisa quis me dizer, mas não o motivo.


Concordas?

# Luciana escrito em Qua 08/02/06 às 06.31 :

Ai, ai&… esses sonhos que são posts codificados. Eu admiro isso em vc porque acho que não consigo escrever dessa forma sobre mim. Bjs.

# Hµ63Z escrito em Seg 08/07/06 às 01.49 :

Cara… Adoro esses posts do sonhar… Normalmente tão misteriosos… Espero que tenhas descoberto a que veio, tanto tu quanto a outra parte de ti, que ainda vaga, mas te encontrará!

Grande abraço, amigo lobo!

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