Aventuras no sonhar: cataclisma

Publicado em Qui 02/02/06 como Contos

Quando dei por mim, o tempo e o espaço haviam se dobrado ao meu redor. De certa forma eu reconheci o lugar, mas tudo estava diferente. As pessoas estavam todas em pânico, certas de sua morte. Todo este medo era justificado pelo nascimento de uma nova estrela.

– O céu está em chamas – disse o rapaz ao meu lado.
– Não, não está. Vocês estão presenciando o nascimento de um novo sol. Martára entrou em processo de fusão. O mesmo aconteceria a Júpiter se a sua órbita fosse mais próxima do sol. – falei, na tentativa de lhe acalmar, como se isto acontecesse todos os dias.
– De que diabo está falando ?

Foi quando percebi que o novo sol era vermelho, e anoitecia e amanhecia em intervalos de 2 minutos, pois o planeta estava sendo arrastado pelo campo gravitacional do novo sistema binário. O vermelho serviu de gatilho, este não era um sonho qualquer.

O tumulto era muito grande e o caos parecia incontrolável. Em um primeiro momento acreditei que eu estava ali para estabelecer uma ordem, mas logo em seguida percebi que não havia tremores de terra e a temperatura parecia estável, o que indicava que o planeta inteiro estava protegido por um campo de êxtase.

Voei para o alto, para ter uma visão mais ampla do cenário. Não consegui identificar quem estava interferindo neste mundo, logo, era melhor nem tentar descobrir. Após percorrer alguns quilômetros encontrei um grupo de pessoas cercadas por cadáveres. A cena, por alguns instantes me fez querer crer que eu estava em um filme do George Romero. Os cadáveres se moviam como zumbis, no melhor estilo “Terra dos Mortos”, mas não estavam atrás de carne humana. De qualquer forma aterrissei dentre os vivos e os ajudei a sair dali.

– Obrigado senhor! Mas… O… senhor… vo… vo… – gaguejava uma mulher em choque.
– O que está acontecendo aqui?
– É o apocalipse, “tarkay”. Os mortos voltaram para cobrar suas dívidas com os vivos. Nós vamos todos para o inferno! – disse um guarda.
– Ninguém vai para o inferno. Vou levá-los para uma igreja próxima daqui que é virtualmente inviolável. Vocês devem fazer tudo exatamente como eu lhes disser que deve ser feito, assim todos vocês irão ficar bem.

Ninguém fez objeção. Resolvi não chamar mais atenção e segui a pé com eles. Recolhi algumas armas no meio do caminho e passei para todos do grupo. Algumas horas depois chegamos à igreja. Tive a nítida impressão de já ter estado ali antes, mas não consegui recordar quando. A construção tinha uma base tripla mas não formava uma pirâmide, tinha mais a forma de uma lâmina de machado. Todos os cinco altares estavam destruídos, provavelmente saqueados, e isto me alertou que talvez ali não fosse tão seguro quanto eu acreditava que fosse.

Selamos todas as portas usando os altares como barricadas. Subimos até a torre mestra, onde era possível enxergar em todas as direções. Distribui algumas provisões e organizei as vigias. Restava-nos agora apenas aguardar. Era impossível determinar quanto tempo ficamos lá esperando, pois o novo contar dos dias nos deixava ainda mais apreensivos.

O guarda deu o primeiro tiro. Os zumbis estavam logo abaixo cientes da nossa posição. Começamos todos a atacar. Não demorou muito para eles avançarem pelas barricadas, e menos ainda para subirem até a torre. Posicionei-me a frente de todos, pronto para atirar assim que entrassem pela porta, pouco antes da invasão. Atirei uma, duas, três vezes, mas eles não caiam. Pude ouvir o pranto das pessoas atrás de mim. Ficou óbvio o que estava acontecendo.

– Ordeno que parem onde estão ou serão todos enviados para o abismo – gritei para os zumbis.
– Não! Não para o abismo! – ficaram todos imóveis.
– O que vocês fazem aqui?
– Sempre estivemos aqui, mas ninguém podia nos ver.
– É um cataclisma – falei para mim mesmo.

Fechei meus olhos e chamei por ajuda. Instantes depois a torre estava tomada por uma luz que se apagou levando os mortos dali.

Acordei logo em seguida, tenso e exausto.

Foi apenas um sonho… colorido.


Concordas?

# Hµ63Z escrito em Ter 02/07/06 às 07.01 :

UAU!!!

Meus parabéns, lobo alpha! Essa está de tirar o fôlego… :-D

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